Iniciar ou amadurecer?

Janeiro costuma vir vestido de “novo”: novas metas, nova rota, nova dieta, novo corpo, nova vida…Contudo, nem todo ciclo pede começo. Alguns pedem aprofundamento. E para aprofundar é necessário desacelerar para concentrar e amadurecer escolhas, sustentar processos, cuidar do que já está em curso. Um convite à maturidade emocional.

Quando olhamos para o atendimento de retaguarda a pessoas com câncer, não há glamour no cuidado cotidiano. Há rotina, espera, escuta, cansaço. E, na maior parte das vezes, há mulheres. Mães, filhas, companheiras, irmãs, cuidadoras profissionais ou improvisadas pela necessidade. O cuidado não começa do zero todos os dias; ele se aprofunda. 

Amadurecer, nesse contexto, não é endurecer. É aprender a dosar presença e limite, afeto e exaustão, doação e autocuidado. É entender que o corpo que cuida também adoece se não for visto. Que a saúde emocional de quem sustenta o processo importa tanto quanto o tratamento de quem está no centro dele. 

Talvez 2026 não peça grandes viradas, mas reconhecimento. Reconhecer o trabalho invisível do cuidado, reconhecer a sobrecarga historicamente empurrada para as mulheres, reconhecer que maturidade também é pedir apoio — institucional, familiar, coletivo.

Se o imaginário coletivo, induzido pelo calendário gregoriano, sugere começos nesta época do ano, a vida real lembra: há ciclos que não precisam de estreia, mas de profundidade. E cuidar, quando feito com consciência e apoio, é uma das formas mais potentes — e maduras — de seguir em frente. 

Tamires Santana

Assessora de Comunicação HEFC

Total Page Visits: 325 - Today Page Visits: 38
Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Facebook
Facebook
YouTube
Instagram