Aprender a viver o agora é sair da ansiedade permanente e retornar ao corpo. Em um tempo marcado pela pressa, pela produtividade excessiva e pela expectativa do próximo passo, o estado de presença deixa de ser luxo e se afirma como um ato de cuidado e um aprendizado contínuo.
Estar enraizado em si é desenvolver escuta. É perceber o peso do corpo pisando no chão, o ritmo da respiração, a cadência dos próprios pensamentos. Quando o corpo é reconhecido, o tempo se reorganiza. O agora deixa de ser apenas um intervalo entre tarefas e passa a ser território de experiência, onde a vida acontece de fato.
O aprendizado que nasce desse estado não se estrutura em metas imediatas nem em resultados mensuráveis. Ele acontece enquanto se vive. Surge na atenção aos pequenos movimentos, na capacidade de sentir antes de reagir, na escolha consciente de permanecer com o que está acontecendo, mesmo quando isso exige desconforto. Aqui, aprender não é acumular informações, mas ampliar consciência.
O ritmo próprio é um saber frequentemente ignorado. Organizar tarefas e planejar o dia é amplamente reconhecido como estratégia de produtividade. O que raramente se aprende é estabelecer prioridades considerando não apenas prazos, mas a energia disponível para cada ação. Cada corpo tem seu tempo de assimilação, criação e pausa. Quando esse ritmo é desconsiderado, o aprendizado se fragmenta; quando respeitado, ele se integra à vida.
Viver sob um regime contínuo de produtividade, sem considerar limites físicos e emocionais, gera frustração. Após períodos de descanso, é comum tentar compensar o “tempo perdido” com sobrecarga, repetindo o ciclo de exaustão. Romper esse padrão exige descanso real — dormir, tomar sol, mudar de atividade — e um retorno consciente, ajustando metas a um ritmo saudável ao ritmo que realmente o corpo e a mente estão disponíveis executar. Lembre-se que esse ritmo da modernidade é uma imposição à uma lógica do consumo, da distração.
Aprender no viver agora é confiar que o corpo sabe. É nele que a experiência se organiza, se transforma e permanece. Respeitar essa sabedoria é um gesto simples, profundo e essencial de saúde.
Tamires Santana
Assessora de Comunicação HEFC