Falar mal do outro

Enquanto se fala mal de alguém, geralmente, surge a observação: “o veneno escorre pelo canto da boca”. Significa que se está envenenado? Nasce, também, uma desconfiança e indagação endereçada a si mesmo: “o que essa pessoa fala de mim, quando estou ausente?”.

Quanto tempo dura essa aliança entre os que falam mal de alguém? Inúmeros textos e obras publicadas abordam a atitude de falar mal do outro. Em muitos casos, o outro é manchado pelo preconceito, com brincadeiras maldosas, sem vínculo com a verdade. Para justificar há outro comentário irresponsável: “onde há fumaça, há fogo!” O veneno vai assumindo no grupo, um caráter de verdade, destituído do compromisso com a ética. Hoje, esse comportamento assume uma maior dimensão de responsabilidade nas redes sociais.

Em termos psicanalíticos, há os casos de projeção. Sigmund Freud tem uma frase brilhante sobre esse tema: “Quando Pedro fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”. Muitas vezes, na projeção, as pessoas condenam no outro aquilo que não pode emergir das profundezas de si mesma, surgindo, com fúria, a interpretação do comportamento ou aparência do outro, denunciando o próprio acusador.

A psicoterapia dispõe de técnicas para o tratamento, o problema é que nem sempre se busca a clínica com esse propósito, mas, ele emerge durante as sessões.

Dr. João Palma Filho
Psicólogo – CRP 146.528

Publicado na edição 1547 do jornal Regional News.

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