Luto e recordações

Os seres humanos choram por seus mortos desde os tempos primitivos. Essa dor pela separação denominamos luto e quando um sujeito entra em processo de luto, surgem pessoas amigas tentando aconselhar, diante do sofrimento que observam. Não raras vezes esse conjunto de boas intensões permanece distante das necessidades do enlutado. Ele deseja de volta o que não está mais na sua presença. A tristeza faz parte, integra o processo de desligamento, cicatrização da ferida aberta, sintoma que trazem na clínica.

É necessário passar pelo doloroso processo de luto. A psicanálise entende que cada sujeito interpreta e passa pelo luto, conforme seu mundo interno. A angústia não deve ser encoberta, como muitos dizem: engolir o choro. Fatalmente, ele ressurgirá definhando aquele que o desafia. Furtar-se ao luto, denuncia a si mesmo a falta de importância do outro.

Importa conseguir o alívio da tristeza, conseguir chorar, dizer o que sente, esvaziar para cicatrizar. Surge um pesar que pode aprisionar, mantendo o sujeito refém dos seus pensamentos por um longo tempo, mas não pode ser eterno. Isso porque, aos poucos, a tristeza vai sendo superada, principalmente a partir dos recursos internos que se possui. Voltam as lembranças do convívio e o percurso analítico favorece passar por esse processo, com forças para seguir na vida, levando na memória e no coração aquele que partiu.

Dr. João Palma Filho
Psicólogo – CRP 146.528
Matéria publicada no jornal Regional News, edição n°1603

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